São Gonçalo

Dor no estômago com queimação: o que costuma estar por trás

O padrão da dor — quando aparece, o que melhora, o que piora — costuma dizer mais do que a intensidade dela.

Dra. Lara Jurdi Cinotto · CRM/RJ 52.99411-6

Dor na boca do estômago acompanhada de queimação é uma das queixas mais frequentes em consultório de gastroenterologia. Também é uma das mais difíceis de resolver por conta própria, porque manifestações parecidas podem ter origens diferentes. O que ajuda a diferenciar não é o quanto dói — é o padrão em que a dor aparece.

O padrão importa mais que a intensidade

Vale observar quatro coisas antes da consulta. Quando a dor aparece: em jejum, logo após comer, à noite. O que melhora: comer, tomar antiácido, mudar de posição. O que piora: alimentos específicos, álcool, jejum prolongado, estresse. E há quanto tempo o quadro se mantém. Esse conjunto costuma orientar mais o raciocínio médico do que a descrição da intensidade, que varia muito de pessoa para pessoa.

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As causas mais comuns

Inflamações da mucosa gástrica, refluxo do conteúdo do estômago para o esôfago e lesões na parede do estômago ou do duodeno estão entre as origens mais frequentes. A infecção pela bactéria H. pylori aparece com frequência associada a esses quadros e tem investigação e tratamento próprios. Também existem casos em que a investigação não encontra lesão, e o incômodo tem origem funcional — o que não torna o sintoma menos real nem dispensa acompanhamento.

  • Anote quando dói: jejum, após refeições ou à noite.
  • Registre o que melhora e o que piora o sintoma.
  • Informe uso de anti-inflamatórios, mesmo esporádico.
  • Relate se há queimação subindo até a garganta.
  • Mencione perda de peso, vômitos ou dificuldade para engolir.
  • Leve exames de sangue recentes, principalmente o hemograma.

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O item que quase todo mundo esquece de contar

O uso de anti-inflamatórios. Como muitos são de venda livre e usados para dor de cabeça, cólica ou dor nas costas, as pessoas não os consideram medicação relevante e não os mencionam. Só que o uso frequente agride a mucosa gástrica e é uma das causas mais comuns desse tipo de queixa. Informar isso muda a conduta, e é uma das perguntas que o médico fará de qualquer forma.

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Quando investigar por dentro

A endoscopia digestiva alta entra quando é preciso ver a mucosa: sintomas persistentes apesar do tratamento, presença de sinais que pedem investigação direta, necessidade de coletar material para análise ou de pesquisar H. pylori. Ela avalia esôfago, estômago e o início do intestino delgado, e permite fazer as três coisas numa sessão só.

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Perguntas frequentes

Quando a dor aparece, o que melhora, o que piora e há quanto tempo acontece. Esse padrão orienta mais que a intensidade.

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